EM FOCO - Informativo do Hospital Centrinho/USP e Funcraf • Ano 5 • nº 36• Bauru, jun/jul 2005

Geral - Centrinho ­ 38 anos (p. 15)

Pinceladas de carinho

Trajetória de paciente tem mesma motivação do Centrinho/USP: um sonho e o desejo por desafios

É sábado. São mais de duas da tarde. Em frente ao Senac, um portão amarelo sinaliza o número 10-22 da rua Engenheiro Saint Martin, em Bauru. À nossa espera, a bauruense Maria Silvia Pereira de Freitas, 41 anos. “Estava ansiosa. Ter minha história contada num jornal do Centrinho/USP é uma honra”, diz, caminhando ao longo do corredor que permite acesso ao singelo e aconchegante ateliê de pintura. Lá, em meio a obras inacabadas de seus alunos, Maria Silvia nos apresenta suas grandes paixões: arte e aviação. Logo, vamos descobrindo as peripécias dessa publicitária, que hoje tira o sustento exclusivamente das aulas de pintura. “Mi estas aventurema revulino”. Com esta frase, em esperanto - idioma que aprendeu com seu companheiro, Luciano -, Maria Silvia expressa seu espírito aventureiro e, ao mesmo tempo, sonhador. Nascida com fenda palatina (fissura no céu da boca), ela lutou muito para superar seus traumas, especialmente para falar em público. Mas jamais pensou em desistir. Na escola, enfrentou preconceitos em virtude da fala nasalizada - popularmente chamada “fanhosa”. Como conseqüência: timidez e constrangimento. “Eu era muito quieta, de poucos amigos”, conta. Mas a menina acanhada de antes cedeu lugar para uma mulher segura e dona de seus passos. Movida por desafios, está sempre em busca da tal felicidade. Por conta disso, nossa personagem não pára quieta. Desde os dez anos se dedica à pintura - arte que aprendeu com diversos artistas plásticos de Bauru e região. A partir dos 15 anos passou a se dedicar ao aeromodelismo nas modalidades vôo circular, rádio controlado e plastimodelismo, criando maquetes de aviões comerciais. Com este esporte, ela e o irmão - Tales - já foram premiados algumas vezes. Aos 27 anos, fez seu primeiro vôo de planador. “Voar é uma experiência incrível. Eu queria mesmo é ser piloto, mas me sinto realizada pintando aviões”, conta. Concluiu o Curso Técnico de Publicidade no Liceu de Bauru, fez dois anos de Nutrição (e teve certeza de que essa não é sua área), aprendeu inglês, espanhol e um pouco do esperanto. Mas o aprendizado deste idioma - língua internacional, falada por milhões de pessoas, em todos os continentes, cuja primeira gramática foi publicada na Polônia - teve uma motivação muito especial: o soteropolitano Luciano Martínez y Martinez, 38, professor de informática e de esperanto. Com bom-humor e memória afiada, Maria Silvia confessa que conheceu o marido pela Internet, numa sala de bate-papo. “Foi no dia 1º de abril de 1999, parece brincadeira, né?!”, conta, fazendo referência ao Dia da Mentira. Aliás, primeiro de abril é uma data que costuma dar sorte a ela. “Em 1º de abril de 90, fiz meu primeiro vôo de planador, nove anos depois conheci meu grande amor. Se tudo der certo, quero casar nesta data.”

“Congratulon Centrinho”

Com o hospital da USP, esta bauruense tem uma relação de carinho e amizade. “Eu cresci ouvindo boas referências do Centrinho/USP e tenho orgulho ao dizer que esta respeitada instituição fica em Bauru”, diz Maria Silvia, paciente do hospital desde os 18 anos de idade. “Com o suporte da equipe de reabilitação, especialmente dos cirurgiões, fonoaudiólogos, assistentes sociais e psicólogos, ganhei auto-confiança e aprendi e lidar melhor com minhas limitações”.  E acrescenta: “sinto como se eu tivesse crescido como pessoa, assim como o Centrinho cresceu como instituição”, diz, ressaltando que, no hospital, ela multiplicou seus amigos ao longo desses anos, assim como a entidade multiplicou seus pacientes matriculados. E tem mais: “Hoje, digo às pessoas, principalmente a meus alunos: ‘se não entenderem o que digo, avisem que eu repito’. Enfrento tudo com serenidade”. Serenidade e sensibilidade, aliás, compõem o perfil dessa “aventureira sonhadora”. Para finalizar: “Congratulon Centrinho”, diz, novamente em esperanto, felicitando o hospital por seus 38 anos de fundação e por tudo o que representa para ela. (E.S)

 

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Veja nessa edição:
 
Editorial:
De Bauru para o Brasil
Ponto de vista
Um hospital de ensino
A Ouvidora responde
Como identificar a humanização de um ambiente?
Bauru de A a Z
Sim, nós temos teatro. E dos bons.
Em família
Leitura
Comunidade & solidariedade
Funcraf completa 20 anos
Bauru para todos

Integração internacional

  Caminho de volta
  De tirar o chapéu
Pense bem
Conscientização x violência
Cantinho da nutrição
Menopausa: como chegar lá com saúde
Centrinho 38 anos
Duas vivências e uma homenagem
O último dos catedráticos
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