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FOCO - Informativo do Hospital Centrinho/USP e Funcraf • Ano 5 •
nº 36• Bauru, jun/jul 2005
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Gente do Brasil - Retrato de família (p.20) Raimunda, Jamile e Ricardo: coincidências e emoções em nome dos filhos
Duas famílias: os Ferreiras, vindos de Fortaleza (CE), e os Carvalho de Paula de Três Corações (MG) - há dois anos residentes em Bauru (SP) por conta do tratamento de Alysson, 10 anos. E, um encontro fatal: ao se conhecerem em Bauru, no Centrinho, compartilharam experiências e, por uma inexplicável empatia, tornaram-se amigos confidentes. Tudo começou numa tarde em que os pacientes do grupo teatral encenaram uma peça no Serviço de Educação e Recreação (SER). Cassandra da Silva Ferreira, 24 anos, estava no Centrinho para a sua última cirurgia, mas como saiu de condição cirúrgica teve tempo de ensaiar a peça teatral e de apresentá-la. Ao final do espetáculo, sua mãe, Dona Raimunda, subiu ao palco para agradecer. “Quando ouvi a Raimunda dizer que há 24 anos acompanha Cassandra, bateu um sentimento estranho. Eu, que me achava experiente por acompanhar o tratamento do Alysson por quase 10 anos, vi um filme passando na minha frente”, relata Ricardo Carvalho de Paula, 36, pai do casal Alysson e Isabela (9), ambos integrantes do grupo de expressão dramática do Centrinho/USP. Depois do teatro, os pais de pacientes se reuniram, como é prática no hospital, para trocar experiências. Foi quando o casal Ricardo e Jamile soube, em detalhes, da história de Raimunda e Cassandra. As duas estavam em Bauru há quase uma semana hospedadas em uma pensão, dividindo o quarto com mais cinco pessoas. De portas e janelas abertas Em virtude do estresse, Cassandra, que estava com cirurgia de nariz agendada, teve um processo alérgico e saiu de condição cirúrgica. Por isso, mãe e filha teriam de ficar mais dias na cidade. Na mesma hora, Jamile e Ricardo, que ouviram toda a história, trocaram rápidos olhares e fizeram o convite para que elas ficassem na casa deles pelo tempo que fosse necessário. “Eu venho a Bauru desde que Cassandra tinha 3 meses de idade, já estive no Centrinho umas 48 vezes, e nunca havia recebido convite parecido”, afirmou Raimunda. “Agora, ao final do tratamento, recebi esse presente: uma nova família”, comemora. O carinho é recíproco. A família mineira diz ter adotado Raimunda como mãe: “agora, tenho uma outra irmã mineirinha e uma mãe cearense”, diz Ricardo, observando a coincidência de Cassandra também ser mineira. Em virtude do trabalho do pai, ela nasceu em Uberaba - onde morou até os 6 anos e, depois, passou a morar em Fortaleza. “Eu sei o que é estar numa cidade estranha sem ninguém, afinal até bem pouco tempo nós viajávamos de Minas a Bauru para trazer o Alysson ao Centrinho”, conta Jamile, afirmando que esta foi a principal motivação da família para a iniciativa. “Foi, de fato, um grande encontro. Daqui por diante, vamos manter contato”, assegura. “Esse momento é inesquecível. Primeiro porque, finalmente, estou reabilitada e o significado disso é grandioso. Depois porque essa família, agora, é um pouco nossa também”, relata Cassandra. “Se fosse possível, eu até me mudaria para Bauru”, completa Raimunda, que é formada em Pedagogia, mesma faculdade cursada pela filha, e atua em Fortaleza como corretora de modas. “Quem sabe elas não vêm para Bauru e nós firmamos uma sociedade”, brinca Ricardo. |
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