EM FOCO - Informativo do Hospital Centrinho/USP e Funcraf • Ano 7• nº 41• Bauru, mar/abr 2007

Especial (p. 10 e 11)

Hospital é cenário de romances que chegam ao altar

por Elaine de Sousa

Em vez de corredores frios, jardins e salas de espera aconchegantes. Em vez de apenas doenças, histórias de amor.

Para contar a história de um centro que, segundo declarou Miguel Reale (reitor da USP de 1949 a 1950 e de 69 a 73, portanto o primeiro reitor da história do Centrinho), está localizado no coração de São Paulo e “é todo coração”, o EF selecionou algumas das melhores histórias de amor vividas no âmbito do Centrinho/USP. Algumas são engraçadas, outras emocionantes... E todas cheias de coincidências. Para começar, nesta edição, abrimos caminho para as histórias do motorista Omar Fernandes dos Santos, 49 anos, morador no Paraná, e da dona de casa Maria Aparecida de Castro Trimer, 45, de São Carlos (SP). Ambos são pacientes do hospital e conheceram seus amores em Bauru, entre as mesmas paredes onde foram reabilitados. Acompanhe.

Do palco teatral ao altar

Ela tinha 19 anos, ele 28. Ambos nasceram com fissura no lábio e no palato (céu da boca). Em 1980, os dois estavam em Bauru e fariam a mesma cirurgia de nariz no hospital Centrinho/USP. O médico era o doutor Wadi Kassis (um dos sete fundadores do Hospital). Maria Aparecida de Castro e Roberto Trimer Júnior contam que foi amor à primeira vista. “Era primavera e, como de costume, o hospital organizou uma peça teatral em que o elenco era formado por pacientes. Antes dos ensaios, a funcionária Fátima Menão e o psicólogo Arnaldo, que trabalhavam naquela época no serviço de Recreação, desenvolviam atividades em grupo para que a agente se conhecesse melhor e não tivesse vergonha de contracenar juntos”, conta. “Na hora do exercício em dupla, eu caí com o Roberto”.

A coincidência só deu um empurrãozinho no casal, que já estava apaixonado. Nos ensaios, ao som do grupo Abba (banda sueca que fez sucesso mundial nos anos 70 e 80 no cenário da música pop), olhares e conversas aproximavam cada vez mais os dois. “Depois da apresentação da peça, durante o lanche da noite, Roberto veio conversar comigo e eu declarei meu amor”, relembra Maria. No dia seguinte, ambos teriam alta hospitalar. Ela voltou para a sua cidade, Ribeirão Preto. E ele partiu para São Carlos. Desde então, passaram a se corresponder por cartas. Logo depois, Maria passou a visitar a família de Roberto, em São Carlos. Em 17/9/1980 ficaram noivos. Em 9/1/1982 as páginas desse romance passaram pelo altar e selaram de vez a união.

Eles tiveram dois filhos: Roberto, 24, e Natália, 22. A menina também nasceu com o lábio partido. Sofreu com os apelidos que recebia na escola, mas hoje está totalmente reabilitada. “Nós nos fortalecemos na luta contra o preconceito”, assegura Roberto. É assim, unida e apaixonada, que a família Trimer vem tirando de letra os obstáculos do caminho.

Encontros e desencontros

O motorista paulistano Omar Fernandes dos Santos, 49 anos, também tem um envolvimento especial com o Centrinho/USP. Paciente desde 1969, quando o hospital ainda funcionava numa sala da FOB/USP (Faculdade de Odontologia de Bauru), Santos conta que conheceu o amor de sua vida em 1973, quando veio para Bauru para receber atendimentos de rotina. Mas confessa que até ser fisgado por Maria Gorete Kaufmann, 47, natural de Sobradinho (RS), fazia jus à fama de namorador. “Conheci muitas meninas bonitas aqui no Centrinho”, conta, bem-humorado. Mas quem conquistou seu coração mesmo foi Gorete, que na época morava em Bauru em razão do tratamento e logo depois se mudou com a família para Tucuruí (PA) para trabalhar. Eles se corresponderam por cartas e telefone por quase dois anos. Em 1978, um novo reencontro no Centrinho/USP marcou o fim do romance. A razão? Cada um tem a sua  versão: “Nós terminamos porque o Omar estava de casamento marcado com outra lá de São Paulo”, conta Gorete. “Foi ela quem recebeu um pedido de casamento e, como eu não me resolvia por pura imaturidade, rompemos”, rebate Santos.

O fato é que seis anos se passaram e, em 1984, um novo encontro ocorreu no ambulatório do Centrinho. Nessa época, Gorete estava viúva e Santos livre à sua espera. No mesmo ano eles voltaram a namorar. Três meses depois estavam casados.

“Estamos casados há 22 anos e nosso amor é prova de que, quando o sentimento é verdadeiro, podemos viver outras coisas mas acabamos nos reencontrando”, conta Santos.

A história deles não acaba por aí. Envolvidos com a causa das pessoas com anomalias craniofaciais, eles se tornaram agentes multiplicadores de informações sobre o tratamento nessa área em Cascavel (PR), onde passaram a morar. Um dia, uma moradora da cidade foi à casa deles para pedir que adotassem seu bebê, uma menina com fissura. Hoje, Carmélia Aparecida Rios tem 20 anos e vive muito feliz ao lado de Santos e Gorete. Sempre que coincide, eles vêm juntos para as consultas no Centrinho/USP. Na última visita, Santos avisou que a família cresceu: “ganhamos uma netinha, a Gabrieli, que já completou um ano”.

Veja nessa edição:
 
Editorial:
O milagre da vida
Cuca Fresca:
Nós e as circunstâncias
Ao pé d'ouvido:
A morte é algo tão vital quanto o próprio nascimento
Qualidade de vida:
 
Pesquisa:
Estudo encontra alta contaminação em alface
Fator ambiental:
A Mata Atlântica em nossa vida
Leitura:
Assistência à criança
Cultura & Lazer:
A arte que busca a cura
Campus etc.:
FOB leva saúde bucal e auditiva a rondonienses
  Programe-se - Centrinho 40 anos
Especial:

Hospital é cenário de romances que chegam ao altar

  "Casa de guardar votos"
Retrato de família:
Uma autêntica família Centrinho
Gente do Brasil:
Cartas
Perfil de gente grande:
A matriarca do Maranhão
Sem contra indicação:
Eu diante do diferente *
Quintal do Vô Zico:
Calendário do Centrinho traz desenhos da garotada
Participe do 4o. Concurso de Desenho
Expediente