| EM
FOCO - Informativo do Hospital Centrinho/USP e Funcraf • Ano 7•
nº 41• Bauru, mar/abr 2007
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Gente do Brasil - Retrato de família (p. 14 e 15) Uma autêntica família Centrinho por Marcos Paulo da Silva
Trajetória da família Vilela Trindade, de Bilac (SP), é um exemplo das inúmeras histórias de famílias brasileiras que tiveram a vida marcada pelo tratamento no hospital. Duas irmãs, gêmeas idênticas, e uma mãe superorgulhosa. São inúmeras as famílias que mantém vínculos afetivos com o Centrinho/USP. Mas a história da família Vilela Trindade, de Bilac, pequena cidade no interior de São Paulo, a 215 quilômetros de Bauru, é uma das mais peculiares. “Vim para o Centrinho com sete anos, esse hospital é minha vida”, afirma a mãe, a auxiliar de enfermagem Maria Aparecida Vilela Trindade, 44 anos. “Quando fico muito tempo longe do Centrinho fico triste”, completa uma das filhas, Mirielen Vilela Trindade, 19 anos, estudante de Radiologia. O que faz dessa história especial é a relação que Maria Aparecida, Mirielen e a outra irmã, Marielen, estudante de Farmácia, construíram com o hospital. De família humilde, moradora de uma pequena cidade, Maria Aparecida recorda da infância marcada por dificuldades e poucas perspectivas de reabilitação para a fissura de lábio e palato. A primeira cirurgia - de fechamento de lábio - foi realizada ainda em Araçatuba, cidade vizinha de Bilac. “No contato inicial que tive com o Centrinho já fiquei três meses, pois o tratamento era diferente naquela época”, lembra a auxiliar de enfermagem. Para se esquivar das dificuldades e da solidão de uma cidade estranha, a jovem Maria Aparecida encontrou nos demais pacientes verdadeiros familiares. “Eu vinha sozinha e passei a criar laços de amizade com os outros pacientes como se formássemos uma família”, relata. As dificuldades vividas no passado servem de exemplo para que as filhas valorizem a reabilitação que recebem hoje no Centrinho. “Procuro conscientizar minhas filhas de que o tratamento delas é bem mais tranqüilo. Meus pais não tinham recursos e nem condições de acompanhar o tratamento e se não fosse meu esforço pessoal seria difícil de continuar”, conta. Mudança Com apoio do Serviço Social do Centrinho/USP, Maria Aparecida chegou a se mudar para Bauru na juventude para trabalhar e viabilizar sua reabilitação. “Quando passei a colocar os aparelhos ortodônticos ficou difícil de continuar o tratamento. Não havia como morar em Bilac e vir sempre ao Centrinho”, recorda. Em Bauru, teve o privilégio de trabalhar diretamente com o superintendente do hospital, José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão, como já era conhecido entre os pacientes na época. “Ele morava na esquina do Centrinho e trabalhei em sua casa, ajudando a cuidar de seus filhos”, diz. Entre idas e voltas para sua cidade, passaram-se valiosos anos de vivências. Após passar por uma cirurgia em Ribeirão Preto para corrigir um problema cardíaco diagnosticado ainda em Bauru, Maria Aparecida voltou a morar com sua família. Aos 18 anos conseguiu seu primeiro emprego no hospital de Bilac. De paciente, passou a enxergar a área de saúde com outros olhos - os profissionais. Para se aprimorar, fez um curso de auxiliar de enfermagem, profissão a qual se dedica até hoje. “Continuo na área por que realmente gosto do que faço”, ressalta Maria Aparecida. Surpresa Já adulta, com o tratamento na fase final e de volta a Bilac, casou-se. A união com o marido Moacir Bento da Trindade que, somada às últimas cirurgias, poderia distanciar a auxiliar de enfermagem do Centrinho/USP, acabou por aproximá-la ainda mais. “Engravidei depois de dois anos de casamento e nunca esperava ter filhas gêmeas. Quando elas nasceram com fissura, a surpresa foi ainda maior”, revela Maria Aparecida, que também é mãe-coordenadora do Centrinho/USP em sua cidade. A surpresa, que no primeiro momento naturalmente se confundiu com susto, abalou principalmente o pai. “Em nenhum momento tive receio do tratamento delas, mas meu marido não conhecia o caso e se assustou um pouco no início. Quando ele me conheceu eu já estava reabilitada”, lembra. As filhas chegaram em Bauru recém-nascidas, ainda com a sonda colocada na maternidade de Araçatuba. “Aqui recebemos todo o apoio que precisávamos. Tiraram a sonda e deram mamadeira. A equipe também conversou bastante com meu marido para tranqüilizá-lo, tanto que ele também adora o Centrinho”. Hoje, a exemplo da mãe, Marielen e Mirielen são velhas conhecidas da equipe interdisciplinar do Centrinho/USP. Relação amigável edificada em quase duas décadas de tratamento. A ligação é tanta que as duas optaram por profissões na área de saúde. “Ter escolhido a área para trabalhar é uma influência do contato que tive com os médicos, enfermeiros e demais profissionais do Centrinho”, reconhece Mirielen. A exemplo da mãe, as duas irmãs não poupam esforços para seguirem nas carreiras que escolheram. Diariamente, cruzam de ônibus os 35 quilômetros que separam Bilac de Araçatuba para estudar. “É uma conquista, pois elas estão muito bem. A luta foi grande, mas a vitória veio”, orgulha-se Maria Aparecida, mãe de uma autêntica família Centrinho. |
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||