EM FOCO - Informativo do Hospital Centrinho/USP e Funcraf • Ano 9 • nº 48 • Bauru, set. 2009 - Especial

Leitor em foco - Mochileiro (p. 4-7)

No país da rainha

Olá, amigos do Em Foco! Meu nome é Bruno Saviotti, tenho 24 anos, e sou o paciente número 6.436-6. Nasci com lábio leporino, na cidade de Barbacena (MG), só que morei a vida toda em Brasília. Recentemente me formei no curso de jornalismo e tive o privilégio de ser convidado pelo setor de comunicação social do hospital para criar essa coluna. Aqui, vou compartilhar minhas experiências de viagens, tanto no Brasil quanto na Europa. Falar sobre as curiosidades dos países europeus, da cultura desses lugares, os pontos turísticos, entre outros. Também gostaria de relatar as belezas das cidades mineiras, da exuberância do Distrito Federal, do império inglês, do povo português, do caos de São Paulo, da culinária francesa e italiana e por aí vai. Enfim, quero falar de lugares que conheci pra ver se talvez desperte a curiosidade de vocês. Muitos devem pensar “A Europa é tão cara”. Por isso que estou aqui, pra mostrar as maneiras mais viáveis de visitar o continente europeu e de conhecer o Brasil. Não vou apenas me limitar a viagens, posso contar também sobre minha vida de paciente do Centrinho. Os preconceitos sofridos, as operações realizadas, enfim, meu convívio com essa dádiva de ter nascido com lábio leporino.

Bom, hoje vamos falar do país da rainha, Inglaterra, e da Itália (país por onde passei antes). Morei cinco meses na capital - Londres - e depois fiquei um mês conhecendo o continente europeu, como mochileiro. No total, tive a oportunidade de visitar 13 países.

Meu objetivo inicial, na Inglaterra, era aprender inglês. Viajei antes da crise financeira, por isso minha passagem de avião foi bem barata. Mesmo assim, Londres é considerada a segunda capital mais cara do mundo. Antes de chegar a Londres, fiquei dois dias na Itália (em Roma). Lá é uma loucura, os italianos são exagerados demais: gritam muito, quando conversam parece que estão brigando, e são impacientes. O trânsito da cidade é um caos, ninguém respeita ninguém, não tem estacionamento em lugar algum. Essa falta de vagas faz com que a Itália tenha uma das maiores frotas do mundo do carro Smart. Um modelo tão pequeno, mas tão pequeno que tem gente que o estaciona perpendicularmente à calçada. É automóvel para os espertos mesmo, seria bom um desses em São Paulo.

Roma borbulha. Quando eu cheguei teve um protesto de estudantes que parou o centro da cidade. Ninguém entrava. O governo teve que interromper as atividades para escutar os estudantes.

O mais interessante são as construções e a parte histórica, uma maior que a outra... Não tinha idéia do tamanho. Detalhe: a maior embaixada é a do Brasil. Fica na mais famosa Praça de Roma. Ao todo, a cidade tem 365 igrejas para representar cada dia do ano. E cada igreja é maior e mais exuberante que a outra. Não tem como explicar o tamanho, nem os detalhes dos afrescos internos, uma fortuna! Igual ao Vaticano, a cidade do papa resume-se a uma palavra: Exagerada. Tudo é tão grande, que é fácil se perder no meio das pilastras. Roma é cara, só que dá para fazer ser mais acessível. A maioria dos pontos turísticos tem entrada gratuita, assim como as igrejas.

Vamos agora para a Inglaterra. Lá é tudo completamente diferente do que se tem no Brasil. Mas deixo claro que não é melhor, e sim diferente.

Primeiro que a ideia de que os ingleses são frios é uma furada. Talvez as pessoas confundam frieza com educação.

Quando cheguei pedi informação para um inglês que estava saindo do metrô. Ele pegou a estação que eu tinha que ir, e disse “follow me” (me siga), desceu umas 50 escadas e foi até o local do destino. Depois fui pedir informação para achar minha casa, um senhor que tomava cerveja no posto nos guiou quatro quarteirões até minha casa. Enfim, eles são na deles, só que quando vão bater um papo eles se abrem, viram bons informantes e talvez amigos. Se eles esbarram com você na rua, é imediato escutar um sorry (desculpa). Estou falando da grande maioria. No metrô então é um show de desculpas. Outro dia, uma mulher estava com pressa, ela passava longe das pessoas e ia pedindo desculpas por estar apressada. Mesmo que ela nem esbarrasse na gente.

A impressão de eles serem frios talvez venha das condições climáticas. Em Londres é muito frio. Para se ter uma idéia, no inverno, quatro horas da tarde já está completamente escuro, e congelando. O que salva do frio são os aquecedores dentro das casas. Todo o canto tem um: na cozinha, banheiro e nos quartos. 

Mais curiosidades: Eles conhecem muitas coisas do Brasil. Quando cheguei do aeroporto de Roma estava tocando bossa nova. O futebol nem se fala, movimenta a vida deles e as páginas dos jornais. Felipão, na época, era capa sempre. Todo canto tem uma camisa do Kaká, do Ronaldinho e por aí vai. No segundo dia, fui fazer compras e tirei uma caneta do cruzeiro, presente de meu pai, o dono da loja reconheceu e disse “Brasil”.

Por fim, vamos falar dos preços. Na Inglaterra é tudo ao extremo, ou é muito barato ou é muito caro. Hoje um Pound - libra esterlina (GBP), a moeda inglesa, custa, em média, 3,60 reais. Roupa de frio é a grande vantagem. É normal encontrar lá um casaco que custa uns mil reais no Brasil por 30 pounds (quase 110 reais). Um laptop, custa em média 350 pounds (quase 1.200 reais). Doce, livro, quadros, vasos e souvenirs são bem mais baratos.

Agora o mais impressionante, uma BMW, por exemplo, fica em média de 3.000 pounds (uns 10.000 reais). Aí é moleza. Às vezes encontrávamos carros que custavam o preço de um mês de aluguel. Tá aí, o mais caro lá é a moradia. E todos vivem numa espécie de república - normalmente moram dez pessoas na mesma casa. De tudo que é país. Enfim, o mundo está em Londres, para onde você olha vai ter um mulçumano, africano, asiático, indiano e, claro, brasileiros. Londres é considerada a cidade mais cosmopolita do mundo, e estima-se 130.000 brasileiros. Às vezes parece que a segunda língua deles é o português, de tanto brasileiro.

Dicas: Se quiser morar na Inglaterra, tente, antes, aprimorar um pouco seu inglês aqui no Brasil. Fica mais fácil se virar e, consequentemente, arrumar um emprego.

Na próxima coluna vou falar da rotina no país, o emprego, a vida dos brasileiros lá e mais curiosidades sobre Londres. Veja uma tabela dos preços dos produtos lá, multiplique por 3,6, quase 4. Ou seja, se uma bisnaga de pão é 0,30, custa 1 real e oito centavos. Para gastos gerais é aconselhável GBP 300 por mês.

Fonte:http://gotoworld.com.br/content/view/49/74/

Bruno Saviotti é jornalista, blogueiro e mantém o site http://www.vaprabosnia.com.br/ com seu amigo Rodolfo Ferreira. Desde 2009, colabora voluntariamente com o Em Foco.

VEJA TAMBÉM: O custo das coisas

Veja nessa edição:

 

Editorial:

Recheada

Ponto de vista:

Cirurgião do sorriso

Mochileiro:

No país da rainha

 

Curiosidades: o custo das coisas

Ao pé d'ouvido:

Uma década de cidadania exercitada

 

Equipe afinada

Cantinho da nutrição:

Carne em pó é lançada nacionalmente por pesquisadoras da USP e Unesp

Fases do processo industrial

 

Receitas com carne em pó: sabor e saúde

 Assim somos:

Mais de 15 mil dias de reabilitação e 75 mil sorrisos

 

Rede solidária: 38 associações brasileiras

 

Na contramão

 

Ruídos sem sentido na inclusão social

 

Implante coclear e deficiência auditiva

 Letras & letrinhas:

"Sopa de pizza"precisa de uma editora

Gabriel, autor mirim

Biblioteca do Reabilitador

 

Dica de leitura

Gente do Brasil:

De paciente a reabilitadora

 

Nova advogada!

 

Paraná em foco!

 

Cartas

 Qualidade de vida:

Projeto Bem-Estar eleva autoestima de mães de pacientes

Campus & etc:

Fonoaudióloga é premiada pela Capes

1a. Jornada sobre deficiência auditiva de Campo Grande

 

I Simpósio de Fissuras Orofaciais e Anomalias Relacionadas - VIII Encontro Científico de Pós-Graduação HRAC-USP

  Perfil de gente grande:

Turma do Centrinho: contra rótulos

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