EM FOCO - Informativo do Hospital Centrinho/USP e Funcraf • Ano 9 • nº 48 • Bauru, set. 2009 - Especial

Ponto & Vírgula - Ponto de vista (p.2-3)

Cirurgião do sorriso

José Alberto de Souza Freitas*

Fui convocado a falar do amigo e profissional Reinaldo Mazzottini. Missão fácil, confesso. Difícil é falar do que está distante de nossa alma. Mas não é o caso do grande Mazoca, amigo de décadas, companheiro, profissional pronto para enfrentar qualquer intempérie. Pessoa inteira, sábia, cuja presença bate sempre próxima do nosso coração.

A minha história profissional, à frente do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo - nosso querido Centrinho - há mais de 42 anos, sempre foi fortemente influenciada pelas ações desse brilhante cirurgião-dentista. Poderia discorrer sobre seu perfil humilde e tão admirável por horas a fio. Mas fiz um recorte que julgo pertinente para dividir com você, nosso leitor. Afinal, não é sempre que temos espaço para relatar os bastidores que ajudaram a traçar a trajetória de uma instituição como o nosso Centrinho-USP, que alcançou credibilidade internacional e a respeitabilidade de toda a comunidade científica. Acreditem, nem sempre foi assim. A dimensão alcançada por nossa equipe é fruto de uma árdua, incondicional e até mesmo passional dedicação.

Pelos idos de 1973, nossa equipe era mais do que versátil. Éramos vigia, motorista, servente, auxiliar de limpeza... Foi um início peculiar. Nenhum dos sete pesquisadores que deram o pontapé inicial para este trabalho imaginava que, dia após dia, tantas e tantas crianças com risos fendidos chegariam a Bauru, provenientes das mais longínquas regiões brasileiras, em busca de reabilitação...  Para se ter uma ideia, nem carro nosso Centrinho tinha. Ganhamos um Galaxie de um empresário bauruense, o saudoso Edmundo Coube. Automóvel que, por coincidência, foi produzido no Brasil, pela Ford, no mesmo ano de fundação do Centrinho... E nós mesmos conduzíamos o veículo.

Naquela época, o Hospital possuía 18 funcionários. Eram apenas cinco cirurgiões-dentistas, três auxiliares de enfermagem, um cirurgião plástico, dois anestesistas, um servente, uma cozinheira e lavadeira, um vigia, um técnico de manutenção, uma secretária e um auxiliar... Tudo reduzido. Sobravam apenas boa vontade, determinação e muito carinho pelos pacientes, cujo número crescia cotidianamente. Mazzottini esteve conosco em todas as horas daqueles difíceis anos. Eram finais de semana inteiros de plantão. E Mazoca, com habilidades manuais inquestionáveis, fazia até consertos de equipos. Suas firmes mãos de cirurgião, também ajudaram a construir as paredes sólidas de nossa instituição. São bastidores que demonstram, com clareza, o caráter deste profissional. O mais impressionante é que diante das dificuldades, além de nos ajudar colocando mesmo a “mão na massa”, ele não deixou de estudar, de se qualificar... Em 1979, concluiu o mestrado em Ortodontia pela FOB-USP (Faculdade de Odontologia de Bauru). Em 1985, defendeu teses de doutorado em Reabilitação Bucal e Prótese, pela mesma faculdade. E seu empenho acadêmico e científico também foi aplicado em nosso Hospital. Foi por suas mãos que realizamos cirurgias históricas e despontamos na cirurgia bucomaxilofacial. Até meados de 1990, Mazzottini era um dos únicos destaques nesta área. Felizmente, a partir de seus ensinamentos e de sua imensa generosidade acadêmica, dezenas de outros profissionais cresceram na mesma área e, hoje, figuram entre os melhores do país.

Este é o exemplo que quero pontuar e compartilhar com vocês. O cirurgião do sorriso. O homem que protagonizou o início deste hospital quarentinha que mantém em seus registros de matrícula mais de 75 mil pacientes, quase 50.000 deles da área bucomaxilofacial. Meu desejo para a Odontologia brasileira é que perfis como este se multipliquem a favor das ciências da saúde e que centenas de mãos cirúrgicas visem mais do que resultados técnicos, que visem sorrisos sinceros, como tão bem faz o nosso Mazoca.

*José Alberto de Souza Freitas é o Tio Gastão, superintendente do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP) - o Centrinho-USP de Bauru

Veja nessa edição:

 

Editorial:

Recheada

Ponto de vista:

Cirurgião do sorriso

Mochileiro:

No país da rainha

 

Curiosidades: o custo das coisas

Ao pé d'ouvido:

Uma década de cidadania exercitada

 

Equipe afinada

Cantinho da nutrição:

Carne em pó é lançada nacionalmente por pesquisadoras da USP e Unesp

Fases do processo industrial

 

Receitas com carne em pó: sabor e saúde

 Assim somos:

Mais de 15 mil dias de reabilitação e 75 mil sorrisos

 

Rede solidária: 38 associações brasileiras

 

Na contramão

 

Ruídos sem sentido na inclusão social

 

Implante coclear e deficiência auditiva

 Letras & letrinhas:

"Sopa de pizza"precisa de uma editora

Gabriel, autor mirim

Biblioteca do Reabilitador

 

Dica de leitura

Gente do Brasil:

De paciente a reabilitadora

 

Nova advogada!

 

Paraná em foco!

 

Cartas

 Qualidade de vida:

Projeto Bem-Estar eleva autoestima de mães de pacientes

Campus & etc:

Fonoaudióloga é premiada pela Capes

1a. Jornada sobre deficiência auditiva de Campo Grande

 

I Simpósio de Fissuras Orofaciais e Anomalias Relacionadas - VIII Encontro Científico de Pós-Graduação HRAC-USP

  Perfil de gente grande:

Turma do Centrinho: contra rótulos

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