Diabetes Mellitus: encare este problema e viva melhor
por Elaine de Sousa

Passar longe dos doces, controlar o consumo de massas e frutas, fazer exercícios físicos... Essas são algumas medidas que devem ser adotadas pela pessoa que descobrir estar diabética. Mas, antes, é preciso que o diabético aceite a doença, reconheça a necessidade de mudar de hábitos e adote o tratamento adequado ao tipo de diabetes que apresenta e à sua condição física.

Toda pessoa que tem fatores de risco com relação ao diabetes, deve realizar o exame de diagnóstico de 6 em 6 meses. Essa doença atinge de 7% a 10% da população brasileira, variando um pouco de cidade para cidade.

"O diabetes é uma doença traiçoeira, o tratamento e o controle cuidadoso dessa doença podem prevenir o surgimento de complicações, portanto a consulta periódica ao médico e o seguimento de suas orientações são fundamentais para a saúde do diabético", alerta Dra. Maria Cristina M. Corradini, endocrinologista. Há quem diga que tem diabetes de engordar e de emagrecer.

Há, também, aqueles que pensam que o fato de tomarem sucos, chá e leite com adoçante já é suficiente no que se refere à dieta. Para esclarecer essas e outras dúvidas, consultamos especialistas que responderam a perguntas básicas sobre diabetes. Acompanhe:

O que é diabetes?
O diabetes é uma doença caracterizada por altas taxas de glicose e lipídios no sangue, produtos finais da digestão de carboidratos e gorduras, respectivamente. Exercícios, alimentos, medicamentos e tensão afetam o nível de glicose no sangue. Ele pode subir se a pessoa comer demais, se estiver sob muita tensão, se não tomar medicamento suficiente ou se estiver doente.

Quando acontece?
Transformamos grande parte dos alimentos que ingerimos em glicose. Essa glicose é transportada no sangue até as células, onde será usada como fonte de energia. Para facilitar esse transporte, nosso corpo produz uma substância chamada insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas que ajuda a retirar a glicose (açúcar) do sangue. Quando se tem diabetes, o corpo não produz insulina ou não produz o suficiente, ou ainda a insulina produzida não funciona adequadamente. Daí o aumento da quantidade de glicose no sangue.

Quais tipos existem?
Diabetes Mellitus Insulino dependente (tipo1) - manifesta-se em jovens geneticamente predispostos. Deficiência na produção de insulina pelo pâncreas, daí é preciso repor o hormônio. Normalmente, acomete jovens magros. Esses diabéticos tomam insulina diariamente, até 3 vezes por dia.
Diabetes Mellitus não insulino dependente (tipo2) - Acontece em adultos, geralmente, obesos e por razões hereditárias. Neste caso, há uma dificuldade em aproveitar a insulina e por isso o diabético precisa tomar comprimido para que ele use melhor a insulina. É, portanto, uma deficiência na utilização da insulina produzida. A hereditariedade é inevitável, mas existem também fatores ambientais que provocam o diabetes, como o estresse que aumenta as chances da doença, intolerância à glicose, idade, obesidade, maus hábitos alimentares.
Diabetes gestacional - geralmente, a glicemia normaliza após o nascimento do bebê , segundo a endocrinologista Dra. Maria Cristina M. Corradini, este tipo de diabetes pode trazer sérias complicações tanto para a mãe como para o bebê, que pode nascer com malformações. Existe, ainda, o diabetes provocado por algum tipo de agressão ao pâncreas, como, por exemplo, o alcoolismo. Corradini explica, no entanto, que hoje já estão sendo estudadas novas classificações.

Quais são os sintomas do diabetes?
Os mais comuns são: sede excessiva, excesso de urina, muita fome, cansaço e emagrecimento. Mas muitas pessoas adultas têm diabetes e não sabem. Os sintomas muitas vezes são vagos, como formigamento nas mãos e pés, dormências, peso ou dores nas pernas, infecções repetidas na pele e mucosas. Portanto, é importante pesquisar diabetes em todas as pessoas com mais de 40 anos de idade.

Quais complicações o diabetes pode trazer se você não se tratar?
Conseqüências agudas: coma hipoglicêmico (quando toma remédio em excesso e/ou come a menos); coma hiperglicêmico (quando a glicemia sobe muito) Conseqüências crônicas: retinopatia (visão); neuropatia (lesões nos nervos, desde dores nas pernas, tontura, etc.); vasculopatia (lesões vasculares; problemas circulatórios, como problemas no coração, hipertensão arterial e impotência sexual)

Como se detecta o diabetes?
O diabetes pode ser detectado por meio de testes simples que pesquisam a presença de açúcar na urina ou que avaliam a quantidade de açúcar no sangue. Mas o diagnóstico deve ser comprovado por exame laboratorial de sangue (glicemia), que pode ser realizado em três condições:

1- Com glicemia pela manhã em jejum de pelo menos 8 horas (uma noite) e o resultado igual ou superior a 126mg/dl é sugestivo de diabetes;
2- Com glicemia 2 horas após sobrecarga com 75g de glicose, o resultado igual ou superior a 200mg/dl é sugestivo de diabetes;
3- Com glicemia casual (o sangue deve ser colhido em qualquer horário do dia, sem relação com alimentação), esta glicemia deve ser realizada apenas nas pessoas que estão apresentando quadro clínico sugestivo de diabetes (muita fome, muita sede e muita urina) e o resultado igual ou superior a 200mg/dl é sugestivo de diabetes. Um resultado positivo por qualquer critério acima, deverá ser referendado nos dias subseqüentes por uma nova glicemia de jejum ou 2 horas pós-sobrecarga.

O diabetes tem cura?
O diabetes tem tratamento e pode ser controlado. Hoje temos evidências que a manutenção da glicemia normal ou próximo do normal leva ao desaparecimento dos sintomas e previne as complicações. Assim, a qualidade de vida da pessoa é restabelecida e sua produtividade no trabalho é normal. A cura está sendo fomentada através de várias linhas de pesquisas com resultados preliminares promissores. Como ainda são pesquisas, necessitam de mais tempo para comprovação dos resultados e de segurança e não estão aprovadas para a indicação clínica.

"O tratamento compreende dois conjuntos de medidas: as não medicamentosas e as medicamentosas. O primeiro conjunto é representado por um plano alimentar, um plano de atividade física e um plano de educação, com informações sobre saúde e diabetes. Todos devem ser individualizados. Quando após estas medidas, o controle adequado do diabetes não foi obtido, são indicadas medidas medicamentosas com os comprimidos orais e a insulina. Os portadores de diabetes tipo1, já no início, devem usar insulina juntamente com as medidas não medicamentosas", explica o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, professor José Egídio Paulo de Oliveira. Para a endocrinologista Dra. Cibele Cabogrosso, o diabético deve valorizar qualquer sintoma para evitar complicações e níveis de glicose crônicos e, assim, ter uma boa qualidade de vida.

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